segunda-feira, maio 03, 2010

As férias de juízes e promotores

Embora a Constituição Federal (norma jurídica máxima de um país) nada fale a respeito, juízes e promotores têm férias de 60 dias por ano. Isso porque a Lei Orgânica da Magistratura e a Lei Orgânica do Ministério Público estabelecem esse benefício.

Em 2009, o senador Valter Pereira (PMDB-MS) propôs uma Emenda à Constituição a fim de nela incluir os 60 dias de férias. Trata-se de uma forma de assegurar de forma definitiva tal regra. Em contrapartida, o senador Suplicy (PT-SP) não só manifestou-se contrário à ideia como propôs a modificação das referidas Leis Orgânicas para reduzir para 30 dias as férias de juízes e promotores.

De minha parte, preferia que os 60 dias fossem concedidos a todos os trabalhadores brasileiros. Na França é quase assim. Mas como isso parece que vai demorar a aconceter por aqui, por enquanto fico com a proposta que reduz as férias dos juízes e promotores, pois pelo menos igualaria Suas Excelências ao resto do povo. Ao menos neste ponto.

quarta-feira, abril 07, 2010

No consultório médico

Só quando olhei a receita é que descobri o nome do médico. Jesus. Não me lembro do resto, só do prenome. Eu sempre achei interessante as pessoas se chamarem assim. Me faz pensar se os seus desafetos sentem algum tipo de constrangimento ao praguejar contra elas, se se sentem pecadores ou coisa parecida. Pode ser engraçado também. Imagine se o porteiro se chamasse assim e alguém perguntasse ‘como você entrou?’ e a pessoa respondesse ‘Jesus me abriu as portas’ ou ‘Jesus me ajudou’.
Eu disse que estava com o ouvido tapado. Ele meteu o otoscópio no meu ouvido e me prescreveu um remédio para desfazer a cera que constatara ser a causa do problema. A consulta foi só isso. Se eu tivesse falado sobre a dor e o sangramento talvez a prescrição fosse outra. Mas eu não falei. Relatei o principal e deixei a ele a iniciativa de perquirir sobre demais sintomas que julgasse relevantes. Até porque a dor era muito pouca e o sangramento eu supunha ser da orelha, de um arranhão que eu mesmo teria feito quando me cutucava. Finalmente, ele estava analisando meu ouvido e poderia ver pessoalmente se tinha algo de anormal. Mas ele não perguntou e parece que nada encontrou. Isso foi de manhã e à noite eu estava novamente no atendimento médico, pois meu estado se agravara para uma dolorosa inflamação.
Eu nunca havia tido problema de ouvido e estava preocupadíssimo. Ponderava: ‘este é um órgão minúsculo e delicado; não precisará muita coisa para algo grave acontecer’. Pensei que corria sério risco de ficar surdo. A enfermeira me disse que infecções desse tipo eram comuns. Sobre o sangramento, ela me explicou que poderia ser rompimento do tímpano, mas que isso é reversível e só se torna grave nos casos de repetidos rompimentos.
A médica que me atendeu era uma mulher sem graça e seu ar era de extrema impaciência. Resumi-lhe o histórico da doença: quais e quando surgiram os primeiros sintomas; falei sobre o primeiro atendimento, o diagnóstico e a prescrição médica e, finalmente, sobre o agravamento que me trouxera até ela. Fui suficientemente claro mas, mesmo assim, ela me pediu para esclarecer a ordem dos acontecimentos(!). Por seu tom hostil, eu desconfiei sobre o julgamento que ela fazia do caso. Pareceu-me que para ela, um hospital era lugar para vítimas de fatalidades invencíveis. Ou seja, basta um mínimo de bom senso e informação para uma pessoa saber se precaver da quase totalidade das doenças ou acidentes e, quando tais ocorressem, conseguir por si mesma remediar a situação. Sendo assim, um médico deveria ser acionado somente quando esses cuidados, diga-se de passagem, elementares, fossem insuficientes. Por tal motivo, pessoas como eu não passavam de inéptos responsáveis pela superlotação do serviço. Ou talvez essa irritação toda fosse com o médico, por ainda não ter aprendido que é a ignorância e não a doença que lota as salas de espera; por não ser capaz de fazer as perguntas necessárias a remediar a estupidez de pacientes que sequer sabem relatar os sintomas de suas doenças. O fato é que, para ela, eu só estava ali porque alguém, eu ou o médico, havia feito algo errado de manhã.
Ela foi enérgica ao puxar minha orelha para abrir espaço para seu otoscópio. Disse-me que não havia cera nenhuma – e aqui eu já senti sua censura ao médico - . O caso era de infecção. ‘Aliás’, ela acrescentou, ‘uma bela infecção’. Receitou-me antibióticos e me mandou suspender a medicação anterior. Não me falou mais nada. O sangramento e a explicação da enfermeira estavam na minha cabeça. Eu precisava saber algo sobre meu tímpano e lhe perguntei educadamente:
- Doutora, eu tive sangramento. A senhora encontrou alguma lesão no meu ouvido?
- Não.
Era sempre assim. Parcos exames, poucas explicações. Como naquele dia eu já tinha sofrido um erro médico, queria me assegurar sobre o estado de meu tímpano e por isso insisti.
- A senhora poderia olhar mais uma vez, pois estou preocupado.
- Não há lesão nenhuma, apenas infeccção. Seu ouvido só está inchado porque ela demorou para ser tratada. Se você tivesse falado pro médico sobre a dor, ele poderia ter constatado isso. Também não sei onde ele viu cera em seu ouvido. Aliás, como chama o médico que te atendeu de manhã?
Percebendo a intransigência daquela mulher, notei que a coisa poderia ficar tensa caso eu revidasse sua impertinência. Por isso, tentei mais uma vez a solução pacífica e simplesmente respondi à sua pergunta.
- Jesus.
Daí aconteceu algo estranho. Não sei se ela descobriu que acabara de condenar um amigo ou alguém importante, ou se era uma questão religiosa, ou se ela achou que eu estivesse acintosamente me referindo ao Messias, insinuando que se até mesmo Ele falhara ela também poderia estar errando. Ela me olhou entre olhos apertados por um instante e, logo após, em silêncio e já numa atitude muito mais amistosa, examinou delicadamente meu ouvido e repetiu em voz leve, mais conformada do que gentil, o diagnóstico anterior: nenhuma lesão.
E foi assim que mais uma vez o nome de Jesus levou conforto a uma alma sofredora.

terça-feira, julho 21, 2009

História Geral (rapidim)

A IDADE MÉDIA

A Idade Média ou Medieval, também conhecida por nomes pejorativos, dentre os quais Idade das Trevas, tem início com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Em 482, Clóvis I unifica tribos francas, conquista a Gália e com isso cria o Reino Franco, o qual foi, talvez, o mais poderoso da Europa no seu período. Em 511, ele morre e o Reino é dividido entre seus 4 filhos. A partir de 614, a nobreza passa a ter um representante perante o rei franco, o majordomus. Pepino, o Breve, então ocupante do referido posto, depõe o último rei da dinastia Merovíngia e, instalando-se no poder, dá início à dinastia Carolíngia.

No continente americano, do século IV ao X, os Maias viveram e prosperaram numa região compreendida entre a península de Yucatán (México) e territórios das atuais Honduras e Guatelama. Trata-se de um povo detentor de conhecimentos avançados, incluindo conceitos abstratos, tais como a idéia de ‘zero’ na Matemática. No final do período, foram dominados pelos Toltecas.

Em 630, as tribos da Arábia se unem, com base no Islamismo e na língua árabe, formando o Império Árabe, o qual existiu por mais de seis séculos. Dentre os fatores responsáveis pelo seu enfraquecimento, estão principalmente as disputas internas entre xiitas e sunitas e a formação de estados independentes. Em 1258 o império cai sob jugo mongol.

De 768 a 814, Carlos Magno, filho de Pepino, o Breve, exerce seu reinado sobre os Francos. Seu período foi de continuidade do expansionismo até então praticado. Foi, também, muito marcante na área cultural, sendo conhecido como Renascimento Carolíngio. No ano 800 é coroado imperador do Sacro Império Romano Germânico.

Em 843, o Tratado de Verdum põe fim às disputas sucessórias entre os netos de Carlos Magno, repartindo o reino entre Carlos, o Calvo, a quem é dada a parte francesa; Luis, o Germânico, recebe a porção alemã; Lotário fica com o território iniciado no Mar do Norte e terminado na Itália. Esse fato é apontado como o início da fragmentação da Europa e fonte do feudalismo.

No ano de 962, o Papa João XII coroa Otto I imperador do Sacro Império Romano Germânico, então formado de área abrangida pelo oeste da Alemanha, pela Áustria, Holanda, parte da Suíça e da Polônia e pela faixa leste da França. No século XII o império se enfraquece e no XIII é formado por uma porção de Estados (ou algo então semelhante a isso) nos quais o poder local supera o imperial. Luis V, último rei carolíngio na França, morre em 987. A nobreza local coloca Hugo Capeto, conde de Paris, no exercício do poder soberano, dando início à monarquia francesa.

Em 1054, a Igreja Cristã Ortodoxa e a Católica rompem, no episódio conhecido como Cisma do Oriente. No ano de 1066, Willian I, duque da Normandia, conquista as sete tribos da Inglaterra, submetendo-as a um poder centralizado. Tem-se aí o início de uma dinastia, bem como, da própria monarquia inglesa.

Entre 1085 e 1270, cavaleiros europeus cristãos promovem as Cruzadas com o objetivo de cristianizar a Palestina e a Ásia Menor (atual Turquia), além de difundir o Cristianismo e combater o Islamismo. De 1118 a 1312, estiveram em atividade os Cavaleiros Templários, grupo derivado das Cruzadas. Gêngis Khan fundou o Império Mongol em 1206, a partir da Ásia Central (onde atualmente está a Mongólia), expandindo-o pela China, Pérsia, chegando até o Mar Adriático. Morreu em 1227. Sob Kublai Khan, neto de Gêngis Khan, o império fez da China um dos centros mundiais mais importantes, destacando-se no comércio, notadamente no ramo de seda e porcelana. No século XIV o império entrou em decadência, fragmentando-se em tribos nômades em razão de disputas internas. Essas tribos foram dominadas pelos chineses em 1691. Na Inglaterra, a nobreza impõe ao rei João Sem Terra expressiva limitação de poderes através de regras consubstanciadas num documento chamado Carta Magna. Em 1231 a Igreja Católica funda a Inquisição, um tribunal instituído para tratar de questões denominadas ‘heresias’. No ano de 1275, o viajante Marco Polo chegou à China, então comandada por Kublai Khan, a serviço de quem Marco Polo passou certo período. Anos depois foi preso, no âmbito de um conflito entre genoveses e venezianos. Na prisão, esteve em companhia de um escritor, a quem ditou O livro das Maravilhas, no qual relata suas viagens. Rico em conhecimento, o livro ficou famoso e foi traduzido para várias línguas e serviu de referência para as navegações dos séculos XV e XVI. Ainda na Idade Média surgiria um novo império, o Turco Otomano, fundado em 1281. De caráter islâmico, esse Império sobreviveu até a Primeira Grande Guerra, quando seus últimos domínios foram definitivamente fragmentados. Também na América ocorreram movimentos imperiais. No século XIII, os Incas fundam, onde hoje está o Peru, a cidade de Cuzco, para ser a capital de seu Império, o qual chegou a ter território ocupante de área onde atualmente estão Equador, Bolívia e Chile. Assim como os já mencionados Maias, os Incas foram detentores de profundos conhecimentos, os quais se manifestaram sobretudo na construção da cidade de Machu Picchu (Peru), fundada por Pachacuchi no século XV. Essa civilização foi destruída pelos espanhóis no século seguinte. Em 1325, os Astecas fundam sua capital, Tenochtitlan, atual cidade do México, onde ainda se podem encontrar ruínas daquele povo, também vítima dos espanhóis no século XVI. Se no período a América dava apenas demonstrações de bonança, a Europa experimentaria, nos anos seguintes, terríveis acontecimentos. O primeiro deles foi a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), entre França e Inglaterra. Uma ilustre participante do conflito foi Joana D’Arc, integrante das tropas francesas, morta em 1431, aos 19 anos de idade. Não bastassem as baixas desse episódio, a Europa foi também sacudida pela Peste Negra, de 1347, perdendo 1 terço de sua população. Mais uma vez, a religião volta a protagonizar um evento marcante da Idade Média, no chamado Cisma do Ocidente, uma disputa sucessória papal envolvendo o lado romano e o francês. Na Península Ibérica, ocorreu em 1385 a Revolução de Avis, na qual se enfrentaram a nobreza e a burguesia portuguesas. A primeira pretendia união com outro povo ibérico, o Reino de Castela; a segunda, lutou pela formação de um Estado independente e, vitoriosa, instituiu uma monarquia para a qual coroou João I. Essa burguesia foi movida pela pretensão de fortalecer sua atividade econômica, a saber, o comércio, e não tardou muito para confirmar o acerto de sua opção, pois já em 1415, Portugal, dando início à sua expansão marítima comercial, conquistou Ceuta, no Norte da África, hoje uma possessão espanhola no referido continente. A Idade Média, por muitos referida como Idade das Trevas, não chegou a seu fim sem antes experimentar um período de inegável contrastante com essa alcunha. Trata-se do Renascimento, movimento difundido a partir da Itália e ocorrido nos costumes, ciências e, sobretudo, nas artes, caracterizado principalmente pelo ressurgimento de valores da Idade Antiga, de padrões Greco-Romanos. O evento atravessa, pelo menos, os séculos XV e XVI. Em 1453, o Império Turco Otomano invade Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente. Esse evento põe fim não só ao Império Bizantino, como também é conhecido, mas à própria Idade Média.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

COnTraDiçãO (e qual será o segredo?)

É engraçado, mas a gente chega a quase vomitar quando ouve aquele negão enorme do Sampa Crew cantar com voz fininha “eu nasci pra você; você nasceu pra mim”. Mas acha animal o Kiss cantando “I was made for lovin you baby.You were made for lovin me”

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Já encheu!

Não faria a menor falta ao mundo se certas músicas nunca mais fossem tocadas. Born to be wild certamente é uma delas.

sábado, março 17, 2007

Quando estiver dirigindo, lembre-se...

Tem certas regras do Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9503/97) que andam esquecidas e estão fazendo muita falta. Abaixo, algumas delas com breves explicações.

As luzes do seu veículo não servem só para iluminar sua própria visão. A função mais importante é servir de sinalização para os outros condutores enxergarem seu veículo. Em dias (nem precisa ser noite) de chuva isso fica muito evidente: se o veículo da frente está com as luzes acesas você o enxerga a mais de quilômetro de distância, mas é capaz de bater na traseira de um com luzes apagadas. Por isso, o Código de Trânsito considera infração:

Art. 250. Quando o veículo estiver em movimento deixar de manter acesas pelo menos as luzes de posição (é a luz baixa do veículo) sob chuva forte, neblina ou cerração: Infração - média; Penalidade - multa.

2) Se você quer andar em baixa velocidade TEM O DEVER DE UTILIZAR A VIA DA DIREITA. E não exagere, pois andar muito devagar também é infração.

Art. 219. Transitar com o veículo em velocidade inferior à metade da velocidade máxima estabelecida para a via, retardando ou obstruindo o trânsito, a menos que as condições de tráfego e meteorológicas não o permitam, salvo se estiver na faixa da direita: Infração - média; Penalidade - multa.

3) Se o motorista que vem atrás buzina ou dá sinal de luz pedindo espaço para ultrapassar, É OBRIGATÓRIO DAR PASSAGEM.

Art. 198. Deixar de dar passagem pela esquerda, quando solicitado: Infração - média; Penalidade - multa.

4) Bateu o carro? A vida continua e o resto da cidade não pode ficar esperando você resolver o problema. Se o sinistro não tem vítima, não tem gente ferida, retire o veículo do caminho.

Art. 178. Deixar o condutor, envolvido em acidente sem vítima, de adotar providências para remover o veículo do local, quando necessária tal medida para assegurar a segurança e a fluidez do trânsito: Infração - média; Penalidade - multa.

5) Ao contrário do que a maioria pensa, é o veículo que tem que esperar o pedestre passar. Aqui, a falta de educação pode resultar em multa e pontos na carteira.

Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado: I - que se encontre na faixa a ele destinada; II - que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo; III - portadores de deficiência física, crianças, idosos e gestantes: Infração - gravíssima; Penalidade - multa. IV - quando houver iniciado a travessia mesmo que não haja sinalização a ele destinada; V - que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo: Infração - grave; Penalidade - multa.

segunda-feira, março 12, 2007

A MÁGICA DA LEI

Nos últimos dias, causaram polêmica os valores gastos para Fernandinho Beira-Mar poder prestar depoimento nos processos em que é réu. Os noticiários divulgaram cifras astronômicas, incitaram a indignação do povo, entrevistaram “especialistas”, etc. Nossos parlamentares, sempre muito oportunistas, iniciaram o debate de leis para mudar a situação. Defendem que os depoimentos sejam feitos por vídeo-conferência; réu na cadeia, juiz no fórum.

Em primeiro lugar, é de se lembrar que para realizar a vídeo-conferência o presídio necessitaria de uma sala para os equipamentos, mas hoje, não há lugar nem para colocar presos. Obviamente, essa lei nasceria sem possibilidade de ser aplicada. “Não há dinheiro” para isso.

Por outro lado, o art. 185 do Código de Processo Penal Brasileiro – CPP - diz que “o interrogatório do acusado preso será feito no estabelecimento em que se encontrar, em sala própria, desde que estejam garantidas a segurança do juiz e auxiliares, a presença do defensor e a publicidade do ato.

Como visto, se a preocupação é cortar gastos, não há necessidade de lei nova; basta cumprir as existentes. O CPP manda os juízes irem ao presídio e o valor gasto nessa operação, por não demandar forte esquema de segurança, é bastante módico. Ocorre que não há juiz disposto a abandonar o conforto do ar-condicionado de seu gabinete para entrar num presídio. Juiz também não cumpre lei!

A última parte do artigo 185 do CPP faz uma exceção: “Inexistindo segurança, o interrogatório será feito nos termos do Código de Processo Penal.” Talvez seja a falta de segurança a justificativa dos nossos magistrados. Por que, então, ao invés de mudar as regras do processo, não se mudam as condições de segurança dos presídios?

É que criar leis é mais fácil. Sobretudo, porque nem é preciso cumpri-las, como este exemplo demonstra. Esta é a verdadeira mágica da lei: dá resposta sem dar solução.

Mais que outra lei falaciosa, a mudança proposta oferece risco ao sistema processual. Cada pessoa julga de acordo com aquilo que conhece e o juiz não foge dessa regra. Se pretende oferecer soluções adequadas à sociedade é preciso conhecer sua realidade. Somente o contato com seus jurisdicionados e com o cotidiano destes, por mais duro e desagradável que seja, oferece ao juiz a oportunidade de ver que o mundo real é bem diferente do “mundo maravilhoso” de seu gabinete, de seu condomínio fechado, de seu clube. Do contrário, cada um de nós está sujeito a ser julgado, não pelo que é, mas pelo que o juiz imagina que seja.

segunda-feira, outubro 16, 2006

SANTA INGENUIDADE!

Na época das eleições, alguém no orkut mandou "scraps" pra todo mundo, com o nome de "Marcel Muscat", canditato a deputado estadual.
Agora surgem mensagens de que essa pessoa ainda não recebeu pelo serviço. E o sujeito convoca as pessoas a cobrarem de Marcel Muscat uma conduta ética, inclusive no sentido de pagar o dedicado cabo eleitoral. É mole?
Marcel Muscat: Regis, DESCULPA O INCOMODO, MAIS FIZ O ENVIO DE SCREPS DESSE CANDIDATO , O SENHOR MARCEL MUSCAT, PELO ORKUT, E ATÉ O MOMENTO NAO RECEBI, PEÇO PARA AS PESSOAS QUE VOTARAM NELE, COBRAREM UMA POSTURA DE ÉTICA E COMPROMISSO DE SUA PARTE,O DISCASO COM MINHA PESSOA É TOTAL.

sexta-feira, setembro 15, 2006

MARCOLA, ALCKMIN E MENTIRAS

Dias atrás a televisão mostrou um trecho do interrogatório judicial de Marcola, acusado de ser líder do PCC. Conforme determina a lei, depois que o juiz faz ao acusado todas as perguntas que entender necessárias, deve indagá-lo se tem algo mais a acrescentar em sua defesa. Foi, então, que Marcola afirmou serem injustas as acusações que lhe vinham sendo feitas ultimamente; que ele nada tinha a ver com os ataques do PCC e que essas imputações estavam dificultando muito sua situação, impossibilitando sua defesa. Será que ele mentiu? Hipótese 1: Sim. Nos últimos tempos a imprensa geral tem noticiado diariamente a ocorrência de ataques terroristas, crimes que não demonstram nenhuma vantagem aparente, a não ser a de causar pânico, intimidação, retaliação. A intenção parece ser a de desafiar o Estado, exclusivamente. Em alguns deles, seus autores deixam mensagens tipo “Pelo fim da opressão nos presídios” e coisas outras que indicam ligação dos atos a ações do PCC. Nesse caso, há motivos para se acreditar que os ataques são obra do PCC e, sendo Marcola seu líder, haveria de ser tido como autor de cada um deles. Hipótese 2: Marcola falou a verdade. O grande grau de coordenação nos ataques (ações feitas ao mesmo tempo, com idênticas características, contra alvos semelhantes, etc) está entre os maiores indícios de que os envolvidos recebem instruções de um núcleo centralizado de comando e o PCC é sempre apontado como tal. Entretanto, essa onda de ataques gera um ambiente muito favorável a pessoas e grupos agirem “de carona” com base em motivos diversos. Por exemplo, algumas Prefeituras de São Paulo foram objeto de atentados (Miguelópolis entre elas). Ora, são órgãos do Governo Estadual os verdadeiros alvos estratégicos, principalmente os ligados à Segurança Pública (Penitenciárias, Fóruns, Ministério Público, etc). Ataques ao Governo Municipal são totalmente atípicos, sinal de estarem desvinculados ao PCC. Por outro lado, o último Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, é candidato à Presidência da República; logo, se os atentados desmoralizam São Paulo, desmoralizam que o comandou nos últimos anos. Isso é conveniente para os demais candidatos. Aqui estão, então, bons motivos para se acreditar que Marcola não é o mentor de todos os ataques. O líder de uma grande instituição, seja ela uma empresa ou uma quadrilha, não pode ser pessoa tola ou ingênua. Diante de tudo o que nos é informado, Marcola sabe o quanto é difícil acreditar nessa sua tal inocência. Ainda assim, ele alegou, talvez animado por motivos que escapem às inteligências comuns dos mortais; talvez, pela mais surpreendente crença na imparcialidade, boa-fé, ou seja lá o que passe no espírito da população. Talvez, enfim, seja só uma questão processual. A verdade é um mistério. Porém, o grande mistério parece estar na mente de Geraldo Alckmin. É simplesmente incrível o modo como ele se faz alheio a toda essa questão, dando declarações de como São Paulo vem agindo e reagindo com relação ao episódio; é como se ele nunca tivesse participado do Governo do Estado (São Paulo errou aqui, São Paulo acertou ali, se fosse eu...). Entretanto, a Segurança Pública também falhou e foi uma falha grave. Basta ver que o crime está sendo comandado de dentro dos presídios. Ora, Segurança Pública, pelas regras da Constituição Federal, é competência do Estado; a União e os Municípios podem oferecer ajuda, mas a decisão é do Estado e quem foi governador nos últimos períodos foi Alckmin. É de um extremo cinismo ele agora vir com essa de “não tenho nem nunca tive nada a ver com isso”. A grande pérola ele soltou dias atrás ao dizer “se eu for eleito Presidente não vai ter essa moleza não”. Mente duas vezes: primeira, porque, como já dito, o Governo Federal não pode cuidar da Segurança Pública, que é atribuição do Estado. Segunda, por que ao tempo em que foi governador e teve oportunidade de cuidar do problema a coisa chegou a uma situação que agora ele mesmo critica. O político tem um compromisso com toda a população; o bandido, com ninguém. Logo, a mentira de Alckmin é pior, pois importa uma traição, enquanto a de Marcola decorre da própria natureza das coisas.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Mostra de Cinema Paulista no Interior do Estado Ribeirão Preto

  • Projeto 108 Dias de Cinema Paulista
Sessões gratuitas e abertas a toda população Organização: Cineclube Cauim
  • Programação: Sexta-feira (04/08), às 20 horas
  • Lançamento da Mostra Apresentação da Banda Cauim - Filme: HOMEM VOA – (direção André Ristum) documentário sobre a vida de Santos Dumont, produzido pelo Núcleo de Cinema de Ribeirão Preto; - Apresentação da programação das primeiras duas semanas de exibição da mostra. - Exibição de obras de Cineastas Paulistas
  • A mostra terá sua programação divulgada a cada duas semanas, visando aproveitar a vinda na cidade de atores, diretores, produtores e autores (acompanhe neste blog).
  • O Projeto trará para o público de Ribeirão Preto e região 50 longas metragens e 100 curtas de cineastas paulistas. Estarão presentes os principais cineastas, atores e produtores de São Paulo, realizando debates e discussões. O primeiro grande debate programado para o evento será nos dias 15, 16 e 17 de setembro, quando estarão em Ribeirão Preto mais de 30 cineastas e produtores de cinema, discutindo a produção cinematográfica e a nova Lei de Incentivo à Cultura Estadual, baseada na renúncia fiscal do ICMS.
  • Esta mostra comemora os 150 anos de Ribeirão Preto e os 20 anos de utilidade pública do Cineclube Cauim.
  • Cineclube Cauim: Rua São Sebastião, 920
  • fone: 3941-5025 – www.cineclubecauim.com.br
  • quinta-feira, julho 27, 2006

    1° CInE VÍdeO feStiVAL eM BRodoWsKI

    De 22 a 30 de julho, sempre às 20h, no Clube Atlético Bandeirante de Brodowski

    Categorias curta, média e longa-metragem, segundos e documentários. Obras produzidas na cidade e em todo o Brasil.

    Entrada gratuita (e com pipoca!)

    Informações: (16) 3664.1246

    • Programação

    • Sábado (22/07)Longa: O Castigo Curta: “Outdoors” Segundos: Encruzilhada Documentário: Imaginário Portinari

    • Domingo (23/07) Longa: A Represa Curtas: “Café”; “Meu Herói” Segundos

    • Segunda (24/07) Longa: Um homem chamado Joaquim Mentira Curta: Cana Segundos

    • Terça (25/07) Longa: Uma criada atrapalhada Documentário: 150 anos de Ribeirão Preto

    • Quarta (26/07) Longa: Confissão Tardia Curta: Cana Segundos

    • Quinta (27/07) Longa: Dioguinho Curta: Café Segundos

    • Sexta (28/07) Longa: Boiada Perdida Documentário: 150 anos de Ribeirão Preto Curtas Segundos

    • Sábado ( 29/07) Longa: A mão do destino Documentário: Imaginário Portinari Curtas Segundos

    • Domingo (30/07) Encerramento Entrega de troféu Reapresentação dos vencedores

    POp RocK da ALemAnha (em aLemãO!)

    Mesmo quem não gosta de rock já escutou pelo menos uma música de bandas alemãs deste gênero. Kraftwerk e Scorpions são sempre os exemplos lembrados; só que eles cantam em inglês. Para quem quiser conferir um pouco de new wave cantado em alemão, eu indico este disco, que pode ser ouvido pelo link abaixo. http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?busca=War+Die+Neue+Deutsche+Welle+¶m1=homebusca&check=disco

    terça-feira, julho 25, 2006

    O grande título de Homero Fausto

    O doutor Homero Fausto, ou simplesmente Homero Fausto, como a sobriedade de sua personalidade o condicionava a atuo-denominar-se, era o integrante da mesa que faltava ser apresentado e convidado a ocupar sua respectiva cadeira. Com a tranquilidade comum àquele que está para realizar a mais prosaica das atividades, como tomar um copo d’água, aguardava o anúncio com um enigmãtico sorriso; uma verdadeira Mona Lisa, dir-se-ia.
    Alma boa por natureza, acreditava, no entanto, que a perfeição constituía característica estranha à espécie humana e, assim, entendia-se digno de uma existência sem culpa apesar de alguns defeitos que o inquinavam. Eis a justificativa ética para cultivar uma faceta sarcástica em seu caráter por todos reconhecido como respeitoso e sincero. Mais importante que isso, entendia prescindível indigitada justificativa, porquanto não tinha o sarcasmo na conta dos defeitos, não ao menos essencialmente. Na verdade, acreditava numa tal “função social” do sarcasmo, pois apostava neste como elemento refutador de afirmações duvidosas. Imperativo de sua eqüidade, fazia rotina, da mesma forma, o auto-sarcasmo, sempre que se flagrava em erro.
    Homero Fausto era partidário da academia; respeitava-a e reconhecia-lhe crédito. No entanto, em enésimas ocasiões decepcionara-se com a pobreza de espírito proveniente de nomes precedidos por títulos de mestre, doutor, além de outros. A reiteração de referidos episódios levara-o a realizar uma análise mais acurada das fontes onde buscava conhecimento, de modo que para ele, um título deixara de indicar a garantia de qualidade para apenas representar mero indício desta. É claro que, como qualquer outro sistema, a academia era passível de falhas. Porém, não era isto que o levava a recusar este caminho. Sua aversão não tinha cunho ontológico ou conceitual; decorria, isso sim, era da inversão de valores que seus dias o faziam testemunhar, em que a generalização do vício transformou em regra o fato de o corpo docente de uma faculdade ser escolhido pela simples e mecânica contagem de certificados ao invés de uma criteriosa averiguação de conteúdo e capacidade didática.
    Evidentemente, se a aversão que Homero Fausto nutria em relação à academia decorria só de distorções extrínsecas, havia como sentar-se naqueles bancos sem ser atingido pelo que ali havia de mal. Aliás, este constituía o caminho mais curto para tornar-se professor, seu eterno desejo. Entretanto, optara por não fazê-lo e isto por alguns motivos muito precisos. Em primeiro lugar, o conhecimento que ali obteria também poderia haurir com o auto-didatismo até então responsável por sua formação, ainda que tal significasse o dispêndio de mais esforço e tempo. Dessa forma, concluia que a academia era importante, mas não indispensável.
    Corolário disso – e por uma questão de coerência -, considerava possível reunir cabedal suficiente para ser professor apenas com seus estudos particulares e, sendo assim, se algum corpo docente estivesse realmente interessado em sua capacidade, que é o que interessa (ou deveria interessar), aceitá-lo-ia, a despeito de não ser um mestre ou doutor. Não queria sufragar um sistema que considerava capenga. “Este que mude!”, costumava ponderar. Este era o seu segundo motivo.
    Por fim, a despeito de ser seguidor de Kant, da Lógica e do pensamento a priori, e ainda, conquanto acreditar que o Direito é eminentemente teórico, tinha a convicção de que a experiência da advocacia tinha muito a acrescentar na formação dos novos pensadores que deveriam ser criados pela faculdade. Afinal, no dia-a-dia do fórum era por meio de advogados que o povo e seu respectivo mundo entrava na pauta do poder. Se o Direito instituía o poder para transformar a realidade do povo, então, aqui estava o seu momento alto, ao qual ninguém tinha contato comparável ao experimentado pelo advogado. “Se a academia soubesse disso”, pensava ele.
    Claro que era suficientemente lúcido para perceber a inocuidade de sua conduta. Sabia que por aí perguntariam: “Quem é Homero Fausto para questionar o sistema? Se pelo menos fosse um mestre.”
    Toda essa divagação durou apenas alguns segundos e dela a consciência o trouxe de volta ao auditório em que aquele congresso estava por se iniciar. Ele olhou ao redor e constatou a lotação de público, deduzindo disso que, em termos numéricos, o evento já era um sucesso, motivo de pronto regozijo para os integrantes da mesa. Então, lembrou-se de que cada um destes havia sido avaliado um dia, quando da obtenção de seus títulos. E lembrou-se de que naquela noite a platéia constituiria um novo juri, em cujo veredicto inexistiam o favoritismo, a condescendência, ou qualquer outro tipo de equívoco que ele sempre encontrou presente na academia hodierna. Ou o público encontrava conteúdo no que ouvia ou, então, o que se veria seriam bocejos e pessoas se retirando antes do fim, atos inequívocos de quem se rende ao enfado ou ao desejo de protestar. Para este juri os títulos nada valem.
    Antes de ser chamado à mesa, houve tempo de Homero Fausto entregar-se a um último pensamento. É que não foram poucas as ocasiões em que, uma vez no púlpito, a platéia já era de número inferior àquele do começo do evento, quando da palavra de seus antecessores. E isso o levava a crer que por duas vezes, por duas formas diversas, o mundo tentava dar-lhe motivos para supor-se de valor inferior àquele que imaginava ter. Primeiro, quando insistia em valorar um pensador segundo seus títulos, os quais ele se recusava a ter; segundo, deixando de ouvir o que ele se propunha a dizer.
    Sabia que tinha algo a expor e de quanto estudo e trabalho dedicara por esse algo. Sabia, também, que suas palavras eram compreendidas, pois havia sempre os que se propunham a combatê-lo. Assim, não por falha de conteúdo, tampouco da retórica, mas não poucas vezes encontrara menos ouvintes que os colegas titulados. Logo, não estava errado; a comunidade é que não pensava como ele. Mas isso não lhe era motivo de desânimo. É nessas horas que recobrava o exemplo dado por Sócrates, de um comandante que em seu navio, odiado por ser rigoroso e severo, foi subjugado pela tripulação. Uma vez “livre”, esta passou a conduzir a embarcação segundo o critério exclusivo da vontade, a qual deixara de se submeter aos sacrifícios impostos pela razão, para dar asas ao prazer, situação que se manteve até o previsível e inevitável naufrágio.
    Assim, ele mantinha-se vigilante a fim de impedir que na embarcação que era seu espírito nenhum golpe conduzido pelo ego ou pelo sectarismo retirassem a consciência do posto que lhe cabia, o de comando. Esta era a razão que o fazia permanecer. Desde muito cedo aprendera que o verdadeiro mundo é o da consciência, e por isso, ninguém podia aferir-lhe ou certificar-lhe o valor.
    Homero Fausto ouvira muitas vezes o quanto é árduo o caminho daquele que busca ser um mestre, um doutor. Mas só ele sabia o quão mais exigente era a caminhada de quem, nesses dias de “credencialismo”, um dia assumira a missão de demonstrar que o conhecimento não fica num pergaminho pendurado numa parede de escritório; ele acompanha a alma.
    Então, ouviu-se a apresentação: Homero Fausto, sucedido de seu único título: advogado. E como esperava, o anúncio de seu nome, tão carente dos formais atestados, deu ensejo a uma cena que já lhe era conhecida; o despertar de olhares inconformados em que o corporativismo fazia de cada face uma voz da uníssona, acusadora e retórica indagação: Sem títulos?! Como?!
    “Sim, sem títulos”, com grande satisfação ele respondia mentalmente para si mesmo. Quando tudo ao redor dele os exigia, em sua solidão ele sentia-se realizado por ser o patrono da causa que a consciência lhe confiara, a de demonstar que sua grandeza vinha de dentro e não era fruto do reconhecimento alheio. A tranqüilidade que o envolvia naquele momento, em contraste com a patente irresignação dos demais, era a prova de mais um dia de vitória em sua luta. Daí o enigmático sorriso sarcástico.

    sexta-feira, setembro 02, 2005

    Mal educada.

    (Ele) - Estou preocupado. Preciso sair com todo este dinheiro e tenho medo de ser roubado. Dá aí uma idéia pra me ajudar. (Ela) – Você assistiu àquele filme, “Papillon”?

    segunda-feira, agosto 29, 2005

    Estado leigo?

    Pouca gente percebe, mas a "demarcação religiosa de território" é um fato capaz de incomodar certas pessoas. Trata-se da colocação de imagens religiosas nos prédios estatais. Embora o preâmbulo de sua Constituição invoque a proteção de Deus (porque não a de Alá, de Buda, etc?), o Estado Brasileiro é laico - ao menos em tese -. Seria, então, legítimo que seus servidores e autoridades obriguem a convivência de seus jurisdicionados com manifestações de uma fé nem sempre por estes professada? Estaria este blogueiro exagerando ou criando polêmicas infundadas? Responda você mesmo: como se sentiria dentro de um fórum, de uma escola, ou de uma prefeitura tomadas por imagens de Preto Véio, Buda, exemplares do Alcorão, do Livro dos Mortos, etc?

    sexta-feira, agosto 12, 2005

    COres aOs bOiS?!

    Para pedir o fim da violência, camiseta branca. Para acabar com a corrupção, a cor é o preto. Ótimo! Combinado. Mas, e se o bandido também vestir o branco e o corrupto aparecer de preto, o que significará isso? Com que cara o pessoal vai ficar? Esquisito? Então, imagine essa: e se a polícia vestir o branco e aderir ao coro de “basta!”, “justiça!”. Aí complica, “né”? Porque, afinal, nesse momento ficará clara uma indagação: a quem estaremos pedindo isso tudo? A Deus? Haja fé! É preciso dar nome aos bois.

    quinta-feira, junho 30, 2005

    TRON (e morram de inveja)

    Em 1.982 os estúdios Wall Disney anunciavam aquilo que consideravam uma revolução do cinema: "TRON, UMA ODISSÉIA ELETRÔNICA", um filme feito com imagens produzidas em computador. A coisa gerou enorme expectativa. No entanto, o filme, que teve como premissa o "show" de efeitos especiais e a estória como coadjuvante, foi uma decepção; ninguém assistiu. Hoje, TRON é lembrado (e apenas por um pequeno grupo) muito mais por seu fracasso do que pelo filme em si. Na série "Os Simpsons", o filme foi certa vez lembrado. Trata-se de um daqueles episódios surreais. Homer está caminhando pela sala de sua casa e atravessa uma passagem invisível que o leva a um outro mundo. Neste, tudo tem as formas características de imagens de computador (como no filme). Mesmo no outro mundo, Homer consegue conversar com as pessoas que estão na sala (que nesse momento já são muitas). Então, alguém pergunta: "- Homer, como é aí do outro lado?" E ele responde: "Hum... Alguém assistiu TRON?" A resposta é um total silêncio. Sugiro uma experiência: tente locar TRON. Você provavelmente não encontrará; ou terá a oportunidade de conversar com algum improvável saudosista. Eu fiz isso; comprei o VHS por R$ 3,90 em maio deste ano. Detalhe: a locação ficava em R$ R$ 4,50!

    quarta-feira, junho 29, 2005

    justiça no trânsito

    Em regra, as ruas são divididas em duas pistas, por onde podem passar lado a lado e ao mesmo tempo dois carros; basta que cada um permaneça no seu canto. Mas há motoristas (?!) que insistem em trafegar pelo centro, e o que é pior, em geral andam devagar e seguram em suas costas uma cidade inteira que tem mais o que fazer. Não seria justo que esses motoristas pagassem dois IPVA's, já que usam sempre o dobro dos logradouros que os demais?