
Uma figura sempre presente nos regimes totalitários é a censura, que, basicamente, tem duas funções: reprimir a crítica ao sistema e dar ao povo a sensação de que está sendo protegido pelo Estado do inimigo representado por idéias subversivas, imorais, etc.
No Brasil de 1.985 a censura ainda deixava suas marcas. Esse foi o ano de lançamento do 1º disco do Ultraje a Rigor (após dois
singles), uma das mais importantes bandas do rock nacional de todos os tempos:
Nós vamos invadir sua praia. São desse disco, dentre outras: Ciúme, Rebelde sem Causa, Independente Futebol Clube, Eu me Amo e Marylou, música que conta a estória de uma galinha assim chamada. A letra é “provocadora”. Seu último verso diz: “Marylou, Marylou/transava até com urubu/Marylou, Marylou/botava ovo pelo ‘sul’”
A censura se manifestou aqui de duas formas. Na capa do disco consta que Marylou não podia ter execução pública, pois fora “vetada pelo Departamento de Diversões Públicas da S.R. do D.P.F.
A outra manifestação, e a que constitui o fato interessante, é que
Inútil, música que, na opinião deste blogueiro, é um dos mais precisos ataques à ditadura dentro do espaço do rock, “passou”.
Outro fato interessante sobre a censura diz respeito ao roqueiro Léo Jaime. Cansado de ser castrado por Solange, à época uma funcionária da órgão responsável, o representante goiano do rock brasuca fez uma versão em português para “So lonely”, do
The Police, na qual conta à "velha amiga" o seu drama de ser sempre vetado. A música, chamada
Solange, também “passou”.
Se o caso do Leo Jaime chega a ser divertido, o do Ultraje faz pensar:
Falha no serviço ou censor camarada?