Terça-feira, Junho 30, 2009

RETORNO

Em breve, este blog retomará suas atividades.

Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

COnTraDiçãO (e qual será o segredo?)

É engraçado, mas a gente chega a quase vomitar quando ouve aquele negão enorme do Sampa Crew cantar com voz fininha “eu nasci pra você; você nasceu pra mim”. Mas acha animal o Kiss cantando “I was made for lovin you baby.You were made for lovin me”

Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

Já encheu!

Não faria a menor falta ao mundo se certas músicas nunca mais fossem tocadas. Born to be wild certamente é uma delas.

Sábado, Março 17, 2007

Quando estiver dirigindo, lembre-se...

Tem certas regras do Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9503/97) que andam esquecidas e estão fazendo muita falta. Abaixo, algumas delas com breves explicações.

As luzes do seu veículo não servem só para iluminar sua própria visão. A função mais importante é servir de sinalização para os outros condutores enxergarem seu veículo. Em dias (nem precisa ser noite) de chuva isso fica muito evidente: se o veículo da frente está com as luzes acesas você o enxerga a mais de quilômetro de distância, mas é capaz de bater na traseira de um com luzes apagadas. Por isso, o Código de Trânsito considera infração:

Art. 250. Quando o veículo estiver em movimento deixar de manter acesas pelo menos as luzes de posição (é a luz baixa do veículo) sob chuva forte, neblina ou cerração: Infração - média; Penalidade - multa.

2) Se você quer andar em baixa velocidade TEM O DEVER DE UTILIZAR A VIA DA DIREITA. E não exagere, pois andar muito devagar também é infração.

Art. 219. Transitar com o veículo em velocidade inferior à metade da velocidade máxima estabelecida para a via, retardando ou obstruindo o trânsito, a menos que as condições de tráfego e meteorológicas não o permitam, salvo se estiver na faixa da direita: Infração - média; Penalidade - multa.

3) Se o motorista que vem atrás buzina ou dá sinal de luz pedindo espaço para ultrapassar, É OBRIGATÓRIO DAR PASSAGEM.

Art. 198. Deixar de dar passagem pela esquerda, quando solicitado: Infração - média; Penalidade - multa.

4) Bateu o carro? A vida continua e o resto da cidade não pode ficar esperando você resolver o problema. Se o sinistro não tem vítima, não tem gente ferida, retire o veículo do caminho.

Art. 178. Deixar o condutor, envolvido em acidente sem vítima, de adotar providências para remover o veículo do local, quando necessária tal medida para assegurar a segurança e a fluidez do trânsito: Infração - média; Penalidade - multa.

5) Ao contrário do que a maioria pensa, é o veículo que tem que esperar o pedestre passar. Aqui, a falta de educação pode resultar em multa e pontos na carteira.

Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado: I - que se encontre na faixa a ele destinada; II - que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo; III - portadores de deficiência física, crianças, idosos e gestantes: Infração - gravíssima; Penalidade - multa. IV - quando houver iniciado a travessia mesmo que não haja sinalização a ele destinada; V - que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo: Infração - grave; Penalidade - multa.

Segunda-feira, Março 12, 2007

A MÁGICA DA LEI

Nos últimos dias, causaram polêmica os valores gastos para Fernandinho Beira-Mar poder prestar depoimento nos processos em que é réu. Os noticiários divulgaram cifras astronômicas, incitaram a indignação do povo, entrevistaram “especialistas”, etc. Nossos parlamentares, sempre muito oportunistas, iniciaram o debate de leis para mudar a situação. Defendem que os depoimentos sejam feitos por vídeo-conferência; réu na cadeia, juiz no fórum.

Em primeiro lugar, é de se lembrar que para realizar a vídeo-conferência o presídio necessitaria de uma sala para os equipamentos, mas hoje, não há lugar nem para colocar presos. Obviamente, essa lei nasceria sem possibilidade de ser aplicada. “Não há dinheiro” para isso.

Por outro lado, o art. 185 do Código de Processo Penal Brasileiro – CPP - diz que “o interrogatório do acusado preso será feito no estabelecimento em que se encontrar, em sala própria, desde que estejam garantidas a segurança do juiz e auxiliares, a presença do defensor e a publicidade do ato.

Como visto, se a preocupação é cortar gastos, não há necessidade de lei nova; basta cumprir as existentes. O CPP manda os juízes irem ao presídio e o valor gasto nessa operação, por não demandar forte esquema de segurança, é bastante módico. Ocorre que não há juiz disposto a abandonar o conforto do ar-condicionado de seu gabinete para entrar num presídio. Juiz também não cumpre lei!

A última parte do artigo 185 do CPP faz uma exceção: “Inexistindo segurança, o interrogatório será feito nos termos do Código de Processo Penal.” Talvez seja a falta de segurança a justificativa dos nossos magistrados. Por que, então, ao invés de mudar as regras do processo, não se mudam as condições de segurança dos presídios?

É que criar leis é mais fácil. Sobretudo, porque nem é preciso cumpri-las, como este exemplo demonstra. Esta é a verdadeira mágica da lei: dá resposta sem dar solução.

Mais que outra lei falaciosa, a mudança proposta oferece risco ao sistema processual. Cada pessoa julga de acordo com aquilo que conhece e o juiz não foge dessa regra. Se pretende oferecer soluções adequadas à sociedade é preciso conhecer sua realidade. Somente o contato com seus jurisdicionados e com o cotidiano destes, por mais duro e desagradável que seja, oferece ao juiz a oportunidade de ver que o mundo real é bem diferente do “mundo maravilhoso” de seu gabinete, de seu condomínio fechado, de seu clube. Do contrário, cada um de nós está sujeito a ser julgado, não pelo que é, mas pelo que o juiz imagina que seja.

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

SANTA INGENUIDADE!

Na época das eleições, alguém no orkut mandou "scraps" pra todo mundo, com o nome de "Marcel Muscat", canditato a deputado estadual.
Agora surgem mensagens de que essa pessoa ainda não recebeu pelo serviço. E o sujeito convoca as pessoas a cobrarem de Marcel Muscat uma conduta ética, inclusive no sentido de pagar o dedicado cabo eleitoral. É mole?
Marcel Muscat: Regis, DESCULPA O INCOMODO, MAIS FIZ O ENVIO DE SCREPS DESSE CANDIDATO , O SENHOR MARCEL MUSCAT, PELO ORKUT, E ATÉ O MOMENTO NAO RECEBI, PEÇO PARA AS PESSOAS QUE VOTARAM NELE, COBRAREM UMA POSTURA DE ÉTICA E COMPROMISSO DE SUA PARTE,O DISCASO COM MINHA PESSOA É TOTAL.

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

MARCOLA, ALCKMIN E MENTIRAS

Dias atrás a televisão mostrou um trecho do interrogatório judicial de Marcola, acusado de ser líder do PCC. Conforme determina a lei, depois que o juiz faz ao acusado todas as perguntas que entender necessárias, deve indagá-lo se tem algo mais a acrescentar em sua defesa. Foi, então, que Marcola afirmou serem injustas as acusações que lhe vinham sendo feitas ultimamente; que ele nada tinha a ver com os ataques do PCC e que essas imputações estavam dificultando muito sua situação, impossibilitando sua defesa. Será que ele mentiu? Hipótese 1: Sim. Nos últimos tempos a imprensa geral tem noticiado diariamente a ocorrência de ataques terroristas, crimes que não demonstram nenhuma vantagem aparente, a não ser a de causar pânico, intimidação, retaliação. A intenção parece ser a de desafiar o Estado, exclusivamente. Em alguns deles, seus autores deixam mensagens tipo “Pelo fim da opressão nos presídios” e coisas outras que indicam ligação dos atos a ações do PCC. Nesse caso, há motivos para se acreditar que os ataques são obra do PCC e, sendo Marcola seu líder, haveria de ser tido como autor de cada um deles. Hipótese 2: Marcola falou a verdade. O grande grau de coordenação nos ataques (ações feitas ao mesmo tempo, com idênticas características, contra alvos semelhantes, etc) está entre os maiores indícios de que os envolvidos recebem instruções de um núcleo centralizado de comando e o PCC é sempre apontado como tal. Entretanto, essa onda de ataques gera um ambiente muito favorável a pessoas e grupos agirem “de carona” com base em motivos diversos. Por exemplo, algumas Prefeituras de São Paulo foram objeto de atentados (Miguelópolis entre elas). Ora, são órgãos do Governo Estadual os verdadeiros alvos estratégicos, principalmente os ligados à Segurança Pública (Penitenciárias, Fóruns, Ministério Público, etc). Ataques ao Governo Municipal são totalmente atípicos, sinal de estarem desvinculados ao PCC. Por outro lado, o último Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, é candidato à Presidência da República; logo, se os atentados desmoralizam São Paulo, desmoralizam que o comandou nos últimos anos. Isso é conveniente para os demais candidatos. Aqui estão, então, bons motivos para se acreditar que Marcola não é o mentor de todos os ataques. O líder de uma grande instituição, seja ela uma empresa ou uma quadrilha, não pode ser pessoa tola ou ingênua. Diante de tudo o que nos é informado, Marcola sabe o quanto é difícil acreditar nessa sua tal inocência. Ainda assim, ele alegou, talvez animado por motivos que escapem às inteligências comuns dos mortais; talvez, pela mais surpreendente crença na imparcialidade, boa-fé, ou seja lá o que passe no espírito da população. Talvez, enfim, seja só uma questão processual. A verdade é um mistério. Porém, o grande mistério parece estar na mente de Geraldo Alckmin. É simplesmente incrível o modo como ele se faz alheio a toda essa questão, dando declarações de como São Paulo vem agindo e reagindo com relação ao episódio; é como se ele nunca tivesse participado do Governo do Estado (São Paulo errou aqui, São Paulo acertou ali, se fosse eu...). Entretanto, a Segurança Pública também falhou e foi uma falha grave. Basta ver que o crime está sendo comandado de dentro dos presídios. Ora, Segurança Pública, pelas regras da Constituição Federal, é competência do Estado; a União e os Municípios podem oferecer ajuda, mas a decisão é do Estado e quem foi governador nos últimos períodos foi Alckmin. É de um extremo cinismo ele agora vir com essa de “não tenho nem nunca tive nada a ver com isso”. A grande pérola ele soltou dias atrás ao dizer “se eu for eleito Presidente não vai ter essa moleza não”. Mente duas vezes: primeira, porque, como já dito, o Governo Federal não pode cuidar da Segurança Pública, que é atribuição do Estado. Segunda, por que ao tempo em que foi governador e teve oportunidade de cuidar do problema a coisa chegou a uma situação que agora ele mesmo critica. O político tem um compromisso com toda a população; o bandido, com ninguém. Logo, a mentira de Alckmin é pior, pois importa uma traição, enquanto a de Marcola decorre da própria natureza das coisas.

Sexta-feira, Agosto 04, 2006

Mostra de Cinema Paulista no Interior do Estado Ribeirão Preto

  • Projeto 108 Dias de Cinema Paulista
Sessões gratuitas e abertas a toda população Organização: Cineclube Cauim
  • Programação: Sexta-feira (04/08), às 20 horas
  • Lançamento da Mostra Apresentação da Banda Cauim - Filme: HOMEM VOA – (direção André Ristum) documentário sobre a vida de Santos Dumont, produzido pelo Núcleo de Cinema de Ribeirão Preto; - Apresentação da programação das primeiras duas semanas de exibição da mostra. - Exibição de obras de Cineastas Paulistas
  • A mostra terá sua programação divulgada a cada duas semanas, visando aproveitar a vinda na cidade de atores, diretores, produtores e autores (acompanhe neste blog).
  • O Projeto trará para o público de Ribeirão Preto e região 50 longas metragens e 100 curtas de cineastas paulistas. Estarão presentes os principais cineastas, atores e produtores de São Paulo, realizando debates e discussões. O primeiro grande debate programado para o evento será nos dias 15, 16 e 17 de setembro, quando estarão em Ribeirão Preto mais de 30 cineastas e produtores de cinema, discutindo a produção cinematográfica e a nova Lei de Incentivo à Cultura Estadual, baseada na renúncia fiscal do ICMS.
  • Esta mostra comemora os 150 anos de Ribeirão Preto e os 20 anos de utilidade pública do Cineclube Cauim.
  • Cineclube Cauim: Rua São Sebastião, 920
  • fone: 3941-5025 – www.cineclubecauim.com.br
  • Quinta-feira, Julho 27, 2006

    1° CInE VÍdeO feStiVAL eM BRodoWsKI

    De 22 a 30 de julho, sempre às 20h, no Clube Atlético Bandeirante de Brodowski

    Categorias curta, média e longa-metragem, segundos e documentários. Obras produzidas na cidade e em todo o Brasil.

    Entrada gratuita (e com pipoca!)

    Informações: (16) 3664.1246

    • Programação

    • Sábado (22/07)Longa: O Castigo Curta: “Outdoors” Segundos: Encruzilhada Documentário: Imaginário Portinari

    • Domingo (23/07) Longa: A Represa Curtas: “Café”; “Meu Herói” Segundos

    • Segunda (24/07) Longa: Um homem chamado Joaquim Mentira Curta: Cana Segundos

    • Terça (25/07) Longa: Uma criada atrapalhada Documentário: 150 anos de Ribeirão Preto

    • Quarta (26/07) Longa: Confissão Tardia Curta: Cana Segundos

    • Quinta (27/07) Longa: Dioguinho Curta: Café Segundos

    • Sexta (28/07) Longa: Boiada Perdida Documentário: 150 anos de Ribeirão Preto Curtas Segundos

    • Sábado ( 29/07) Longa: A mão do destino Documentário: Imaginário Portinari Curtas Segundos

    • Domingo (30/07) Encerramento Entrega de troféu Reapresentação dos vencedores

    POp RocK da ALemAnha (em aLemãO!)

    Mesmo quem não gosta de rock já escutou pelo menos uma música de bandas alemãs deste gênero. Kraftwerk e Scorpions são sempre os exemplos lembrados; só que eles cantam em inglês. Para quem quiser conferir um pouco de new wave cantado em alemão, eu indico este disco, que pode ser ouvido pelo link abaixo. http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?busca=War+Die+Neue+Deutsche+Welle+¶m1=homebusca&check=disco

    Terça-feira, Julho 25, 2006

    O grande título de Homero Fausto

    O doutor Homero Fausto, ou simplesmente Homero Fausto, como a sobriedade de sua personalidade o condicionava a atuo-denominar-se, era o integrante da mesa que faltava ser apresentado e convidado a ocupar sua respectiva cadeira. Com a tranquilidade comum àquele que está para realizar a mais prosaica das atividades, como tomar um copo d’água, aguardava o anúncio com um enigmãtico sorriso; uma verdadeira Mona Lisa, dir-se-ia. //_______________// Alma boa por natureza, acreditava, no entanto, que a perfeição constituía característica estranha à espécie humana e, assim, entendia-se digno de uma existência sem culpa apesar de alguns defeitos que o inquinavam. Eis a justificativa ética para cultivar uma faceta sarcástica em seu caráter por todos reconhecido como respeitoso e sincero. Mais importante que isso, entendia prescindível indigitada justificativa, porquanto não tinha o sarcasmo na conta dos defeitos, não ao menos essencialmente. Na verdade, acreditava numa tal “função social” do sarcasmo, pois apostava neste como elemento refutador de afirmações duvidosas. Imperativo de sua eqüidade, fazia rotina, da mesma forma, o auto-sarcasmo, sempre que se flagrava em erro. //______________// Homero Fausto era partidário da academia; respeitava-a e reconhecia-lhe crédito. No entanto, em enésimas ocasiões decepcionara-se com a pobreza de espírito proveniente de nomes precedidos por títulos de mestre, doutor, além de outros. A reiteração de referidos episódios levara-o a realizar uma análise mais acurada das fontes onde buscava conhecimento, de modo que para ele, um título deixara de indicar a garantia de qualidade para apenas representar mero indício desta. É claro que, como qualquer outro sistema, a academia era passível de falhas. Porém, não era isto que o levava a recusar este caminho. Sua aversão não tinha cunho ontológico ou conceitual; decorria, isso sim, era da inversão de valores que seus dias o faziam testemunhar, em que a generalização do vício transformou em regra o fato de o corpo docente de uma faculdade ser escolhido pela simples e mecânica contagem de certificados ao invés de uma criteriosa averiguação de conteúdo e capacidade didática. //______________// Evidentemente, se a aversão que Homero Fausto nutria em relação à academia decorria só de distorções extrínsecas, havia como sentar-se naqueles bancos sem ser atingido pelo que ali havia de mal. Aliás, este constituía o caminho mais curto para tornar-se professor, seu eterno desejo. Entretanto, optara por não fazê-lo e isto por alguns motivos muito precisos. Em primeiro lugar, o conhecimento que ali obteria também poderia haurir com o auto-didatismo até então responsável por sua formação, ainda que tal significasse o dispêndio de mais esforço e tempo. Dessa forma, concluia que a academia era importante, mas não indispensável. //_________________// Corolário disso – e por uma questão de coerência -, considerava possível reunir cabedal suficiente para ser professor apenas com seus estudos particulares e, sendo assim, se algum corpo docente estivesse realmente interessado em sua capacidade, que é o que interessa (ou deveria interessar), aceitá-lo-ia, a despeito de não ser um mestre ou doutor. Não queria sufragar um sistema que considerava capenga. “Este que mude!”, costumava ponderar. Este era o seu segundo motivo. //____________________// Por fim, a despeito de ser seguidor de Kant, da Lógica e do pensamento a priori, e ainda, conquanto acreditar que o Direito é eminentemente teórico, tinha a convicção de que a experiência da advocacia tinha muito a acrescentar na formação dos novos pensadores que deveriam ser criados pela faculdade. Afinal, no dia-a-dia do fórum era por meio de advogados que o povo e seu respectivo mundo entrava na pauta do poder. Se o Direito instituía o poder para transformar a realidade do povo, então, aqui estava o seu momento alto, ao qual ninguém tinha contato comparável ao experimentado pelo advogado. “Se a academia soubesse disso”, pensava ele. //_________________________// Claro que era suficientemente lúcido para perceber a inocuidade de sua conduta. Sabia que por aí perguntariam: “Quem é Homero Fausto para questionar o sistema? Se pelo menos fosse um mestre.” //____________________// Toda essa divagação durou apenas alguns segundos e dela a consciência o trouxe de volta ao auditório em que aquele congresso estava por se iniciar. Ele olhou ao redor e constatou a lotação de público, deduzindo disso que, em termos numéricos, o evento já era um sucesso, motivo de pronto regozijo para os integrantes da mesa. Então, lembrou-se de que cada um destes havia sido avaliado um dia, quando da obtenção de seus títulos. E lembrou-se de que naquela noite a platéia constituiria um novo juri, em cujo veredicto inexistiam o favoritismo, a condescendência, ou qualquer outro tipo de equívoco que ele sempre encontrou presente na academia hodierna. Ou o público encontrava conteúdo no que ouvia ou, então, o que se veria seriam bocejos e pessoas se retirando antes do fim, atos inequívocos de quem se rende ao enfado ou ao desejo de protestar. Para este juri os títulos nada valem. //__________________// Antes de ser chamado à mesa, houve tempo de Homero Fausto entregar-se a um último pensamento. É que não foram poucas as ocasiões em que, uma vez no púlpito, a platéia já era de número inferior àquele do começo do evento, quando da palavra de seus antecessores. E isso o levava a crer que por duas vezes, por duas formas diversas, o mundo tentava dar-lhe motivos para supor-se de valor inferior àquele que imaginava ter. Primeiro, quando insistia em valorar um pensador segundo seus títulos, os quais ele se recusava a ter; segundo, deixando de ouvir o que ele se propunha a dizer. //______________________// Sabia que tinha algo a expor e de quanto estudo e trabalho dedicara por esse algo. Sabia, também, que suas palavras eram compreendidas, pois havia sempre os que se propunham a combatê-lo. Assim, não por falha de conteúdo, tampouco da retórica, mas não poucas vezes encontrara menos ouvintes que os colegas titulados. Logo, não estava errado; a comunidade é que não pensava como ele. Mas isso não lhe era motivo de desânimo. É nessas horas que recobrava o exemplo dado por Sócrates, de um comandante que em seu navio, odiado por ser rigoroso e severo, foi subjugado pela tripulação. Uma vez “livre”, esta passou a conduzir a embarcação segundo o critério exclusivo da vontade, a qual deixara de se submeter aos sacrifícios impostos pela razão, para dar asas ao prazer, situação que se manteve até o previsível e inevitável naufrágio. //_________________________// Assim, ele mantinha-se vigilante a fim de impedir que na embarcação que era seu espírito nenhum golpe conduzido pelo ego ou pelo sectarismo retirassem a consciência do posto que lhe cabia, o de comando. Esta era a razão que o fazia permanecer. Desde muito cedo aprendera que o verdadeiro mundo é o da consciência, e por isso, ninguém podia aferir-lhe ou certificar-lhe o valor. //___________________________// Homero Fausto ouvira muitas vezes o quanto é árduo o caminho daquele que busca ser um mestre, um doutor. Mas só ele sabia o quão mais exigente era a caminhada de quem, nesses dias de “credencialismo”, um dia assumira a missão de demonstrar que o conhecimento não fica num pergaminho pendurado numa parede de escritório; ele acompanha a alma. //____________________// Então, ouviu-se a apresentação: Homero Fausto, sucedido de seu único título: advogado. E como esperava, o anúncio de seu nome, tão carente dos formais atestados, deu ensejo a uma cena que já lhe era conhecida; o despertar de olhares inconformados em que o corporativismo fazia de cada face uma voz da uníssona, acusadora e retórica indagação: Sem títulos?! Como?! //_______________________// “Sim, sem títulos”, com grande satisfação ele respondia mentalmente para si mesmo. Quando tudo ao redor dele os exigia, em sua solidão ele sentia-se realizado por ser o patrono da causa que a consciência lhe confiara, a de demonstar que sua grandeza vinha de dentro e não era fruto do reconhecimento alheio. A tranqüilidade que o envolvia naquele momento, em contraste com a patente irresignação dos demais, era a prova de mais um dia de vitória em sua luta. Daí o enigmático sorriso sarcástico. //_______________________//

    Terça-feira, Junho 06, 2006

    FLuoXetiNa

    A depressão acaba com a gente. Tive a oportunidade de saber o que queria dizer Cazuza, quando cantava "Eu quero (...) algum remédio que me dê alegria."

    Quinta-feira, Setembro 22, 2005

    E por falar no Michal Jackson...

    Olha o que está à venda no Mercado Livre... Pra quem se interessar, o endereço é o seguinte: http://www.mercadolibre.com.ar/jm/item?site=MLA&id=18050063

    Para ouvidos sem preconceitos

    Embora confesse nunca ter sido fã de Eddie Van Halen, este blogueiro ouviu "uma coisa ou outra" de sua obra. Com base nesta modesta experiência afirma algo que fará muita gente torcer o nariz. O único solo de guitarra que realmente impressionou está no disco Thriller. Acredite; Van Halen realmente contribuiu para a obra de Michael Jackson. E arrazou! Na música Beat it, Michael abriu espaço para o guitarrista, que em poucos segundos despejou no hit muito mais do que a sua manjada técnica de two hands que o consagrou. A última nota do solo faz lembrar o som de um motor sendo desligado. É como se a guitarra fosse uma máquina retirada da tomada bem na hora em que o cara acabou de passar o seu recado. Ainda sobre Michael e Thriller, o disco, de 1.982, contou também com a participação de Paul McCartney, em The girl is mine. Os dois ainda trabalharam juntos, com a música Say, say, say, de 83, que saiu na obra do baixista. Já na década de 90, Michael convidou Slash, hoje do Velvet Revolver, para gravar Give in to me no disco Dangerous. Esta história deixa algumas lições: às mentes fechada fica a primeira: preconceito limita; a Michael (especialmente com Thriller), a segunda: é melhor andar com os "grandes".

    Sexta-feira, Setembro 09, 2005

    "FaLHa No siSTeMa" ou "CEnsOr CamaRadA"???&¨%$

    Uma figura sempre presente nos regimes totalitários é a censura, que, basicamente, tem duas funções: reprimir a crítica ao sistema e dar ao povo a sensação de que está sendo protegido pelo Estado do inimigo representado por idéias subversivas, imorais, etc. No Brasil de 1.985 a censura ainda deixava suas marcas. Esse foi o ano de lançamento do 1º disco do Ultraje a Rigor (após dois singles), uma das mais importantes bandas do rock nacional de todos os tempos: Nós vamos invadir sua praia. São desse disco, dentre outras: Ciúme, Rebelde sem Causa, Independente Futebol Clube, Eu me Amo e Marylou, música que conta a estória de uma galinha assim chamada. A letra é “provocadora”. Seu último verso diz: “Marylou, Marylou/transava até com urubu/Marylou, Marylou/botava ovo pelo ‘sul’” A censura se manifestou aqui de duas formas. Na capa do disco consta que Marylou não podia ter execução pública, pois fora “vetada pelo Departamento de Diversões Públicas da S.R. do D.P.F. A outra manifestação, e a que constitui o fato interessante, é que Inútil, música que, na opinião deste blogueiro, é um dos mais precisos ataques à ditadura dentro do espaço do rock, “passou”. Outro fato interessante sobre a censura diz respeito ao roqueiro Léo Jaime. Cansado de ser castrado por Solange, à época uma funcionária da órgão responsável, o representante goiano do rock brasuca fez uma versão em português para “So lonely”, do The Police, na qual conta à "velha amiga" o seu drama de ser sempre vetado. A música, chamada Solange, também “passou”. Se o caso do Leo Jaime chega a ser divertido, o do Ultraje faz pensar: Falha no serviço ou censor camarada?

    Sexta-feira, Setembro 02, 2005

    Mal educada.

    (Ele) - Estou preocupado. Preciso sair com todo este dinheiro e tenho medo de ser roubado. Dá aí uma idéia pra me ajudar. (Ela) – Você assistiu àquele filme, “Papillon”?

    Segunda-feira, Agosto 29, 2005

    Estado leigo?

    Pouca gente percebe, mas a "demarcação religiosa de território" é um fato capaz de incomodar certas pessoas. Trata-se da colocação de imagens religiosas nos prédios estatais. Embora o preâmbulo de sua Constituição invoque a proteção de Deus (porque não a de Alá, de Buda, etc?), o Estado Brasileiro é laico - ao menos em tese -. Seria, então, legítimo que seus servidores e autoridades obriguem a convivência de seus jurisdicionados com manifestações de uma fé nem sempre por estes professada? Estaria este blogueiro exagerando ou criando polêmicas infundadas? Responda você mesmo: como se sentiria dentro de um fórum, de uma escola, ou de uma prefeitura tomadas por imagens de Preto Véio, Buda, exemplares do Alcorão, do Livro dos Mortos, etc?

    Sexta-feira, Agosto 12, 2005

    COres aOs bOiS?!

    Para pedir o fim da violência, camiseta branca. Para acabar com a corrupção, a cor é o preto. Ótimo! Combinado. Mas, e se o bandido também vestir o branco e o corrupto aparecer de preto, o que significará isso? Com que cara o pessoal vai ficar? Esquisito? Então, imagine essa: e se a polícia vestir o branco e aderir ao coro de “basta!”, “justiça!”. Aí complica, “né”? Porque, afinal, nesse momento ficará clara uma indagação: a quem estaremos pedindo isso tudo? A Deus? Haja fé! É preciso dar nome aos bois.

    Quinta-feira, Agosto 04, 2005

    Vida longa ao prefeito

    É só eu olhar para o vice-prefeito de Ribeirão Preto que me vem à cabeça o seguinte pensamento: "vida longa ao prefeito".

    Quarta-feira, Julho 27, 2005

    "Causa mortis": A bala é que não foi.

    BALA PERDIDA ATINGE CORPO DE BABÁ QUE ESTAVA SENDO VELADO NO RIO. (fonte: Folha Online - 27/07/2005

    Segunda-feira, Julho 25, 2005

    Bons em tudo

    Em inúmeras questões os E.U.A. estão à frente do restante do mundo. O lado divertido é que, muitas vezes, eles se destacam também no aspecto negativo. No livro “A era da incerteza”, o escritor John Kenneth Galbraith relata um pitoresco momento desse povo. Ao conquistar uma já confortável situação econômica, a turma da terra do Tio Sam descobriu que algo estava a faltar para a plena satisfação de sua personalidade. Faltava nome, tradição. Ao mesmo tempo, a Inglaterra abrigava uma nobreza saudosa de seus tempos de fartura. Identificadas as oportunidades, o que se verificou foi longa série de casamentos selados pela conveniência: os ingleses puderam lastrear com moeda forte a tradição que descobriram servir para muita coisa, menos para encher barriga; os americanos adquiriram aquela tal credencial que, imaginavam, lhes abriria as portas do mundo “adulto”. O caso, antigo, demonstra que não é de hoje que os E.U.A., sem nada deixar em troca, costuma levar sempre alguma coisa de um ou outro país mais desatento. Pobre França! Nem um obrigado recebeu por dar aos "yankees" a clássica expressão que se usa pra denominar esse tipo de pessoa: "parvenu", palavra que por aqui é substituída pela expressão "novo rico". Desgraças à parte, fica a deixa para reflexão: “dinheiro não traz felicidade, mas com ele, pode-se mandar buscar”. Será?

    Quarta-feira, Julho 13, 2005

    ERrei!!!@#! ("Campeões da mediocridade" ou "Isso é que é marketing")

    No escrito ""Campeões da mediocridade" ou "Isso é que é marketing"", afirmei que a Unip, na campanha publicitária, dizia ser a primeira colocada em número de aprovações no último Exame da Ordem. Disse, ainda, que após esta declaração, ela omitia-se quanto aos números subjacentes à referida informação. Pois bem, na verdade, ela diz sim: dos 21.132 inscritos, passaram 1.450. Destes, a Unip afirma que 906 são candidatos por ela formados, sendo 495 dos campi da capital. Este esclarecimento deixa ainda mais claro o nível da mediocridade; afinal, os números ainda são insignificantes.

    Domingo, Julho 10, 2005

    "Campeões da mediocridade" ou "Isso é que é marketing"?

    De um lado, a OAB anuncia mais um recorde de reprovações no Exame da Ordem. De outro, a Unip lança nova campanha publicitária, segundo a qual, comemora o fato de ser a que mais aprovou. Assistindo a tudo, o público que se pergunta (ou deveria perguntar-se): há motivos para comemorar? Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, edição da internet do dia 23/06/2.005, no último Exame, apenas 1.450 dos 21.132 candidatos foram aprovados, ou seja, pouco menos de 8%. Isso em todo o Estado de São Paulo. O que a campanha não esclarece é quantos são estes alunos que a faculdade "transformou" em advogados. Para chegar perto, é preciso ter em mente que os números são de todo o Estado de São Paulo, então, devem ser considerados os alunos egressos de faculdades de todo este território. Veja-se, por exemplo, a Região de Ribeirão Preto: nesta cidade, são 4 faculdades; em Franca, 2; Jaboticabal, 1. Precisa continuar contando? É evidente que o resultado é pífio. Acredita na propaganda quem quer!

    Quinta-feira, Junho 30, 2005

    TRON (e morram de inveja)

    Em 1.982 os estúdios Wall Disney anunciavam aquilo que consideravam uma revolução do cinema: "TRON, UMA ODISSÉIA ELETRÔNICA", um filme feito com imagens produzidas em computador. A coisa gerou enorme expectativa. No entanto, o filme, que teve como premissa o "show" de efeitos especiais e a estória como coadjuvante, foi uma decepção; ninguém assistiu. Hoje, TRON é lembrado (e apenas por um pequeno grupo) muito mais por seu fracasso do que pelo filme em si. Na série "Os Simpsons", o filme foi certa vez lembrado. Trata-se de um daqueles episódios surreais. Homer está caminhando pela sala de sua casa e atravessa uma passagem invisível que o leva a um outro mundo. Neste, tudo tem as formas características de imagens de computador (como no filme). Mesmo no outro mundo, Homer consegue conversar com as pessoas que estão na sala (que nesse momento já são muitas). Então, alguém pergunta: "- Homer, como é aí do outro lado?" E ele responde: "Hum... Alguém assistiu TRON?" A resposta é um total silêncio. Sugiro uma experiência: tente locar TRON. Você provavelmente não encontrará; ou terá a oportunidade de conversar com algum improvável saudosista. Eu fiz isso; comprei o VHS por R$ 3,90 em maio deste ano. Detalhe: a locação ficava em R$ R$ 4,50!

    Quarta-feira, Junho 29, 2005

    justiça no trânsito

    Em regra, as ruas são divididas em duas pistas, por onde podem passar lado a lado e ao mesmo tempo dois carros; basta que cada um permaneça no seu canto. Mas há motoristas (?!) que insistem em trafegar pelo centro, e o que é pior, em geral andam devagar e seguram em suas costas uma cidade inteira que tem mais o que fazer. Não seria justo que esses motoristas pagassem dois IPVA's, já que usam sempre o dobro dos logradouros que os demais?

    Terça-feira, Junho 28, 2005

    "mijam na gente e a imprensa diz que está chovendo"

    (pichado em um muro argentino)

    Quem vale mais?

    Por alguns anos, um posto de gasolina que existe ao lado da Catedral de Ribeirão Preto permaneceu fechado, sem inauguração. NÃO SEI SE ISSO É VERDADE, mas correram boatos de que a Prefeitura negara autorização para funcionamento, ao argumento de que por estar próximo de tão importante e freqüentado logradouro, o posto colocava em risco muitas vidas humanas. De outro lado, no estacionamento do Wall Mart, na mesma cidade, existe um posto de gasolina. É de se perguntar: será que o número de missas celebradas é assim tão grande de modo a atrair mais pessoas do que um supermercado que fica junto de um shopping center? Ou será que as vidas que freqüentam a igreja valem mais do que as que fazem compras? Hoje os dois postos estão em pleno funcionamento. Resolvida a questão, resta apenas a dúvida: as vidas voltaram a valer a mesma coisa oi caiu o número de missas?